O seu percurso nunca coube numa única profissão. Ao longo da vida passou pelo teatro, pela rádio, pela televisão, pela produção cultural, pela escrita e pela política, sempre mais interessado em fazer perguntas do que em aceitar respostas feitas. Talvez seja por isso que nunca conseguiu ficar muito tempo quieto no mesmo lugar. Há quem veja nisso dispersão. Nuno Morna prefere chamar-lhe curiosidade.
O teatro ocupou mais de três décadas da sua vida, primeiro como actor e depois também como produtor, levando-o a trabalhar com alguns dos nomes mais relevantes da cena teatral portuguesa e internacional. Pelo caminho fundou a Companhia de Teatro da Madeira, colaborou durante oito anos com o Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Funchal e passou cerca de doze anos entre a RDP e a RTP, onde apresentou, realizou e produziu programas. O reconhecimento chegou, entre outras distinções, com o Prémio Cultural Fundação Berardo, como parte integrante do projecto Almma.
Mais tarde, a intervenção cívica e política ganhou espaço na sua vida. Foi militante do CDS durante dezanove anos, presidiu à Concelhia do Funchal e esteve entre os fundadores da Iniciativa Liberal, sempre com uma preocupação constante pela Autonomia da Madeira, pela liberdade individual e pela responsabilidade pública.
Hoje continua a escrever, a estudar, a investigar e a participar no debate público. A literatura, a história, a filosofia e a política cruzam-se naturalmente no teu trabalho, porque nunca encarou nenhuma delas como compartimentos estanques. No fundo, tem uma desconfiança saudável por certezas absolutas. Afinal, elas envelhecem muito mais depressa do que as boas perguntas.
